Um grande número de usuários de smartphones em Illinois está processando a Motorola Mobility, em uma tentativa de forçar a empresa baseada em Chicago a entrar em arbitragem sobre supostas violações de privacidade biométrica que ocorrem ao tirar selfies. Segundo consta na queixa, apresentada na segunda-feira no Tribunal de Circuito do Condado de Cook, a Motorola Mobility teria violado de forma descarada a sua própria cláusula de arbitragem ao se recusar a pagar uma taxa de de $7,2 milhões em uma reivindicação de arbitragem coletiva levantada em fevereiro.

O pedido de arbitragem alega que a Motorola violou a Lei de Privacidade de Informações Biométricas de Illinois ao coletar sutilmente dados pessoais das fotos de selfie dos usuários sem autorização. A Motorola comercializa os dispositivos Moto, Razr e Edge equipados com câmeras de alta potência que utilizam tecnologia de reconhecimento facial e inteligência artificial para identificar e armazenar a imagem das selfies, de acordo com a reivindicação.

Um porta-voz da Motorola Mobility não respondeu a um pedido de comentário na quarta-feira. A Motorola, pioneira no mercado de telefonia móvel que já foi uma das lideres do setor, se dividiu em duas empresas em 2011. A Motorola Solutions, que fornece dispositivos de comunicação à segurança publica, relocou sua sede de Schaumburg para o West Loop de Chicago em 2016.

O negócio de fabricação de telefones celulares, renomeado como Motorola Mobility, foi comprado pela Google por $12,2 bilhões em 2012. A Lenovo adquiriu a Motorola Mobility da Google por $2,91 bilhões em 2014, realocando a empresa da cidade suburbana de Libertyville para o Merchandise Mart em Chicago. A Motorola Mobility possui uma clausula de arbitragem obrigatória nas sua condições de serviço que proíbe processos de ação coletiva para resolver conflitos de clientes.

No entanto, quando os peticionários apresentaram as queixas de arbitragem em massa ao Serviços de Arbitragem e Mediação Judicial, conforme direcionado pela Motorola, a empresa se recusou a proceder, alega o processo. Os 4.130 peticionários pagaram mais de $1 milhão em taxas de entrada em 6 de fevereiro, segundo a reivindicação.

Poucos dias depois, o serviço de arbitragem apresentou à Motorola uma fatura de mais de $7,2 milhões referente à sua parte das taxas de inscrição. Em 14 de março, a Motorola pagou a taxa de inscrição para um peticionário que vive na Califórnia, onde o estado impõe sanções em caso de não pagamento em casos de arbitragem. Porém, a Motorola recusou-se a pagar o restante da taxa de inscrição, alegando que a ação de arbitragem foi impedida pelo acordo de ação coletiva da Google em matéria de privacidade biométrica de $100 milhões, o qual foi aprovado em setembro de 2022.

Mais de 687.000 residentes de Illinois que apresentaram reivindicações no acordo estavam na fila para receber pagamentos de cerca de $95 cada um em julho. Os smartphones da Motorola utilizam a plataforma Android da Google, mas a ação de arbitragem se concentra nas funções da câmera e no próprio aplicativo de galeria de fotos da empresa pré-instalado nos dispositivos.