O recente movimento da comunidade de Wicklow, de proibir todos os estudantes do ensino fundamental de possuírem smartphones, ganhou destaque na mídia dos Estados Unidos. Associações de pais de oito escolas diferentes na cidade de Greystones, no condado de Wicklow, decidiram anteriormente no verão, proibir crianças em idade escolar de possuírem smartphones. A possível exposição desse público a material destinado a adultos foi o chamariz para a implementação da política.

As escolas do ensino fundamental da cidade já haviam proibido o uso de smartphones dentro de suas dependências, e Agora, os pais de Greystones proibiram definitivamente seus filhos de possuírem tais dispositivos até que chegassem à idade do ensino médio.

Residente de Greystones, Justyna Flynn, psicóloga clínica, informou à emissora de televisão Fox News que a cidade recebeu um apoio 'inacreditável' em relação à medida. 'Os surpreendentes resultados do aumento da ansiedade, depressão e outras questões que notamos... relacionadas à posse de um telefone móvel, especialmente entre crianças muito jovens', disse Flynn. 'Acho que a forma como as crianças têm acesso à internet, ou a internet tem acesso às nossas crianças, é algo que realmente não sabemos o significado'.

Flynn ainda ressaltou sua esperança de que a proibição seja estendida para estudantes do ensino médio, que nos Estados Unidos seriam equivalentes ao 'middle school' e 'high school'. 'O cérebro não está desenvolvido [para crianças] ... o uso do telefone está associado a ansiedade, depressão, obesidade, distúrbios do sono e muitos outros problemas de saúde', observou Flynn.

O Ministro da Saúde da Irlanda, Stephen Donnelly, que mora perto de Greystones, disse que apoia a política de proibir smartphones para alunos do ensino fundamental e pediu que a política fosse implementada em todo o país. Donnelly, em um artigo de opinião para o jornal Irish Times, mencionou ter conversado com estudantes, professores, cientistas da computação e especialistas em saúde mental sobre o problema e disse estar ciente do conteúdo 'prejudicial' ao qual as crianças podem ter acesso por meio de smartphones.

Ele também apontou que os smartphones podem levar a 'uma ansiedade psicológica grave derivada de conteúdos relacionados a distúrbios alimentares, dismorfia corporal e ideação suicida'. 'Regulamos alimentos e bebidas e medicamentos. Temos ampla proteção infantil em muitas áreas de nossa sociedade. Estamos começando a fazer isso também no espaço digital', escreveu Donnelly. 'Os problemas que levantei aqui estão sendo vivenciados em todo o mundo. A Irlanda pode ser, e deve ser, líder mundial em garantir que crianças e jovens não sejam alvo e não sejam prejudicadas por suas interações com o mundo digital'.

Um relatório das Nações Unidas publicado recentemente sobre smartphones apontou que as crianças tiveram melhor desempenho acadêmico quando os smartphones foram removidos das escolas, acrescentando que os smartphones estão 'distraindo os estudantes do aprendizado e aumentando os riscos à sua privacidade ao mesmo tempo'. O relatório também descobriu que os smartphones podem levar a abusos e bullying e podem ser 'prejudiciais ao aprendizado'.