Um estudo recente sugere que jogar quebra-cabeças em seu smartphone pode melhorar significativamente sua memória de curto prazo na terceira idade. A pesquisa indica que essas atividades podem ajudar a manter a capacidade de memória em um nível similar à de indivíduos na casa dos vinte anos. O estudo envolveu 181 participantes com idades entre 60 e 81 anos que jogavam games digitais. Os pesquisadores compararam suas descobertas com as de 209 pessoas entre 18 e 30 anos. Os participantes mais velhos costumavam jogar quebra-cabeças como palavras cruzadas, quizzes online e sudoku, testando sua memória de curto prazo e de trabalho. Essas habilidades, que envolvem a retenção de pequenas quantidades de informação por curtos períodos, começam a declinar mais tarde na vida.

O estudo descobriu que idosos que jogavam quebra-cabeças online apresentavam um desempenho quase tão bom quanto jovens que não jogavam games digitais. Especialistas teorizam que o efeito de melhoria da memória dos quebra-cabeças vem de sua capacidade de promover o foco e permitir que as pessoas minimizem as distrações. A líder da pesquisa, Dra. Fiona McNab, da Universidade de York, compartilhou que esses resultados promissores podem sugerir que os jogos de quebra-cabeças ajudam a preservar a memória de trabalho na terceira idade ou que os idosos com melhor memória de trabalho tendem a jogar esses jogos. Será necessário mais pesquisas para tirar conclusões.

O estudo também avaliou os tipos de jogos jogados pelos 390 participantes. 141 deles afirmaram que não jogavam nenhum game digital por semana. Os indivíduos restantes foram divididos em grupos com base em suas preferências, como quebra-cabeças, jogos de estratégia ou videojogos de ação. Curiosamente, enquanto o grupo mais velho preferia quebra-cabeças, os mais jovens eram mais inclinados a videojogos de ação. Em um teste de memória que envolvia lembrar a posição de círculos vermelhos dentro de uma grade, ignorando círculos amarelos, os idosos que jogavam quebra-cabeças superaram seus colegas que não jogavam games digitais.

Os resultados mostraram que o desempenho de memória em idosos que jogavam quebra-cabeças quase correspondia ao de indivíduos mais jovens, não mostrando diferença significativa em alguns momentos. Até mesmo os jogadores jovens de quebra-cabeças não superaram significativamente os jogadores mais velhos. Os dados sugerem que resolver quebra-cabeças pode melhorar o foco, melhorando assim o desempenho em tarefas de memória como lembrar listas de compras. Foi observado que idosos que resolviam quebra-cabeças eram menos propensos a serem distraídos por fatores externos, como demonstrado pelos círculos amarelos na mesma grade que os círculos vermelhos que eles precisavam lembrar.

Os idosos que jogavam quebra-cabeças no estudo dedicavam cerca de dez horas por semana a essa atividade, em contraste com os jovens, que jogavam cerca de cinco horas. No entanto, essa descoberta não teve relação direta com os resultados do teste de memória. Surpreendentemente, os idosos também investiam mais tempo em jogos de estratégia, mas isso não se refletiu em melhores pontuações de memória. Pode ser necessário estudos futuros para examinar por que diferentes tipos de jogos afetam os jogadores de maneira diferente com base na idade e como isso se relaciona com a forma como o cérebro armazena informações à medida que as pessoas envelhecem. O estudo foi publicado na revista Heliyon.