MOLLY KINGSLEY: Por que a proibição de smartphones nas escolas demorou tanto? A capacidade de concentração, a motivação e a atenção de nossos filhos estão sendo lentamente aniquiladas. Esta foi a minha reação imediata à notícia de que a Secretária de Educação Gillian Keegan irá anunciar uma proibição do uso de smartphones pelos alunos durante o dia escolar. Me questiono, o que a fez demorar tanto para agir?
É surpreendente que tenha demorado até agora para que o Governo reconhecesse algo que pais e professores já sabem há algum tempo - que o foco, a motivação e a atenção de nossos filhos estão sendo lentamente destruídos pela presença de celulares nas salas de aula. Isto não é apenas uma suposição. Uma série de estudos demonstrou o efeito nocivo que a presença de um smartphone no bolso de um uniforme escolar pode ter sobre o desempenho acadêmico.
Um relatório do monitoramento global da educação da Unesco mostrou que as crianças podem demorar até 20 minutos para se concentrar novamente depois de serem interrompidas por uma notificação em seu telefone. Outros estudos, realizados em países como Malásia, Singapura, França e Espanha, mostram que a proibição de celulares melhora o foco e o desempenho tanto nas aulas quanto nos exames.
De certa forma, mal precisamos dessas pesquisas para nos dizer o que qualquer pessoa que já teve um smartphone já sabe: os celulares podem ser extremamente distraídos, especialmente para aqueles que ainda não aprenderam a desenvolver plenamente o controle de seus impulsos. Tê-los nas aulas é, na melhor das hipóteses, profundamente prejudicial, e, na pior das hipóteses, arruinador, principalmente em uma época em que muitas realizações das crianças já estão ficando para trás após a pandemia.
O foco acadêmico é apenas uma parte do problema. Atualmente, a maioria das escolas decide por si mesma a política de uso de smartphones e, embora algumas proíbam o uso na sala de aula, geralmente permitem que os alunos tenham acesso a eles durante os intervalos e o almoço. Todos sabemos o que isso significa: grupos de crianças navegando nas redes sociais em vez de interagirem entre si e exercitarem seus corpos e mentes.
A realidade é que a sala de aula - e o playground - são apenas uma parte do dia de um estudante. O mesmo destrutivo que um jovem de 13 anos enviando mensagens de texto durante a aula em vez de se concentrar nela, é o colega que passa horas navegando nas redes sociais e mal consegue manter os olhos abertos no dia seguinte, ou a criança que é alvo de mensagens de bullying horríveis nos aplicativos atrás da porta do quarto.
Espero sinceramente que esta nova iniciativa seja o início de uma conversa mais ampla entre todos - pais, políticos e até fabricantes de smartphones - sobre como gerenciar a relação entre nossos adolescentes e seus telefones. Molly Kingsley é a fundadora do grupo de campanha de pais UsForThem.