A Google está considerando a possibilidade de iniciar a produção de aparelhos Pixel na Índia. Está em negociações com fabricantes para transferir parte de sua produção atual, que está predominantemente na China. Empresas como Foxconn, Lava e Dixon Technologies são potenciais candidatas para montar os telefones Pixel na Índia. A movimentação ocorre após a Google tentar, sem sucesso, deslocar sua produção da China após o encerramento da pandemia de Covid-19, cogitando inclusive o Vietnã como destino.

O plano de mudança de produção, semelhante ao da Apple, está alinhado com as políticas indianas favoráveis para a produção de smartphones. De acordo com algumas fontes, a Google já havia feito consultas a fornecedores na Índia em 2021 e 2022, porém, não houve materialização dos planos naquele momento.

O governo indiano tem interesse em atrair empresas de tecnologia que estão se deslocando da China devido a incertezas geopolíticas. Durante a visita de Sunder Pichai, CEO da Google, em dezembro passado, a produção local de telefones Google Pixel foi um ponto chave na conversa com o governo.

Caso as negociações com fornecedores indianos se concretizem, a Google será a terceira grande empresa global de dispositivos a utilizar a Índia como um centro de produção focado em exportação, ao lado da Apple e da Samsung. Além disso, a produção local de telefones ajudaria a Google a evitar os pesados impostos de importação cobrados pela Índia sobre smartphones importados.

A Google enviou cerca de 9 milhões de smartphones Pixel no ano passado, de acordo com a Counterpoint Research. As discussões na Índia destacam os planos da Google de mover a produção além da China e do Vietnã, podendo até expandir para outros produtos de hardware, como alto-falantes.

A produção de smartphones na Índia quase dobrou no último ano fiscal, ultrapassando 11 bilhões de dólares. A maior parte desse valor vem de fabricantes globais de smartphones, como Apple e Samsung. No entanto, o economista indiano Raghuram Rajan ressalta que essa ênfase na produção de dispositivos móveis pode nos tornar mais dependentes da importação de componentes.