Um estudo realizado pela empresa de telecomunicações Vodafone mostrou uma tendência atual de consumo entre os usuários: o tempo de vida dos smartphones está sendo significativamente alongado. A pesquisa, que contou com a participação de 2.000 pessoas no Reino Unido, evidenciou uma mudança no padrão de uso de smartphones pelos consumidores. Em vez de substituírem seus smartphones a cada dois anos, uma prática comum cerca de cinco anos atrás, os consumidores atuais tendem a reter seus aparelhos por um período quase duplo, de até 4 anos. A justificativa para isso é que muitos consumidores estão satisfeitos com os recursos oferecidos por seus aparelhos atuais, aumentando assim o tempo de vida de seus telefones.
Uma análise mais detalhada sugere que a mudança de comportamento do consumidor pode ser atribuída a fatores como as restrições de circulação causadas pela pandemia de Covid-19 e o consequente declínio econômico. Esses fatores acabaram transformando rapidamente o comportamento de consumo das pessoas, levando-as a ser mais cautelosas em seus gastos. Esse cenário econômico tem exercido uma pressão financeira particular sobre os consumidores, uma observação compartilhada em países além do Reino Unido, como a Austrália. Em países como estes, os consumidores estão cada vez mais relutantes em gastar excessiva e impulsivamente em novos aparelhos telefônicos.
Como medida para lidar com este clima econômico e reduzir a carga financeira em seus usuários, a Vodafone UK lançou recentemente uma 'promessa de serviço vitalício' para seus usuários pós-pagos. Esta promessa inclui garantia de reparos e substituição de baterias. No entanto, mesmo com esse incentivo, seus equivalentes australianos, Telstra e JB Hi Fi, estão sentindo uma pressão financeira significativa com a queda nas vendas de novos aparelhos.
Telstra expressou sua surpresa com essa tendência, já que suas projeções previam que os usuários iriam sair de seus planos de pagamento de dispositivos para fazer upgrades para novos aparelhos. Conforme expressado pela CEO Vicky Brady, a empresa antecipava um maior crescimento nas vendas de hardware móvel, pois um número cada vez maior de clientes está saindo de seus planos de pagamento de dispositivos. Porém, a receita não subiu conforme esperado.
As condições do mercado não são promissoras para os fabricantes de smartphones também. Um relatório dos Parceiros de Pesquisa de Inteligência do Consumidor (CIRP) sugere uma possível desaceleração na demanda por smartphones da Apple, apesar do aumento em seu preço médio de venda ao longo dos anos. Os dados de 2019 a 2021 indicaram um número crescente de clientes mantendo seus iPhones por três anos ou mais. Esta condição poderá diminuir a demanda pelo novo iPhone 15. A Samsung também experimentou uma tendência semelhante, com uma queda nas vendas de cerca de 72,3 milhões no último trimestre de 2022 em comparação com as vendas do ano anterior.